Faz sentido questionarmo-nos em relação ao tipo de formação. Isto porque é sabido que, como há diferentes formas de encarar o Futebol, há diferentes formas de encarar a formação. Qual o tipo de formação mais eficaz? O que se vê na maior parte dos casos? Estas são questões interessantes e que nos ajudam a perceber que nem tudo é como se vê nos livros. Por experiência pessoal, por exemplo, já pude constatar aquele que imagino ser o pior cenário de todos. Se não for o pior será certamente o pior pelo qual já passei. Passei por um clube onde tudo gira à volta da prática antiga dos antigos jogadores de Futebol. Tudo é feito com base no que aprenderam há largos anos atrás portanto. Nada terá mudado? Não se passou a saber mais sobre o treino de crianças e jovens? Muita coisa mudou sim, mas há algo que não mudou: a forma como se deve ensinar o Futebol. E “ensinar Futebol” pode ser uma expressão traiçoeira, porque apesar de se poderem dar dicas aos miúdos para estes melhorarem os seus desempenhos, o Futebol aprende-se por tentativas repetidas, com muita prática. Isto para que, e citando o professor Vítor Frade, “ a bola seja um prolongamento do corpo”. Mas não é assim que se pensa, não só no FC Infesta como certamente em muitos outros clubes de Futebol. As preocupações com o físico são evidentes. Veja-se por exemplo a questão do tamanho dos miúdos na formação. Há uma obssessão pelos miúdos mais altos e fortes em detrimento daqueles mais pequenos. Os mais pequenos até podem ter alguma técnica, mas nunca preenchem os requisitos quando comparados com um miúdo mais alto. Os mais pequenos aprentam “défices de circunstância”, devido ao seu estado maturacional por exemplo, mas isso não quer dizer que sejam inferiores aos outros. Se fossem inferiores não apareceríam no mundo do Futebol como Fabregas sobre o qual Valdando escreve “(...) Fabregas cresce a cada dia num estilo que se opõe à tendência generalizada. Nem alto, nem forte, nem veloz (...)”. Essa tendência generalizada é portanto a de privilegiar os mais capacitados fisicamente num momento específico do seu crescimento. Quantos talentos não se perderão por causa deste pensamento errado que tem como origem a vontade de ganhar a qualquer custo? Valdano pensa precisamente neste sentido: “Assusta pensar quantos jogadores com este estilo se perderam no caminho por medirem menos de 1,80 m, por não estarem preparados para o choque, por não contribuírem o suficiente para a destruição”. Valdano refere que estes jogadores aparentemente mais frágeis têem a “força dos sobreviventes” e isso é para mim totalmente verdade. A sua presença é cada vez mais importante para “desafiar a tendência que contaminou o futebol desde as divisões inferiores até às primeiras equipas e que premeia o visível (o físico) sobre a opinião (o talento).”.
sábado, maio 17, 2008
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