segunda-feira, novembro 19, 2007

"Futebol não há só um, o que eu conheço e mais nenhum"


Começo este texto por dizer que há várias formas no Futebol e que, portanto os olhares sobre o fenómeno em questão (o Futebol), devem ser múltiplos e não simplesmente único. É recorrente ver equipas que jogam melhor que outras, equipas que jogam mais rápido que outras, equipas mais agressivas que outras, equipas mais violentas que outras. Generalizar no Futebol, assim como na vida é um erro. Paulo Sousa dá a entender no seu artigo de 12-11-2007 que há diferentes formas de ver o Futebol e refere-se aos treinadores, dando o exemplo de Capello para o qual “o futebol espectáculo não existe” e de Spalletti de quem é admirador confesso. Ambos ganham e ganham de formas diferentes. Para Capello “existe o futebol cínico, frio, calculista, onde o resultado é tudo o que conta” que contrasta com um futebol da Roma que é “apaixonante” de acordo com Paulo Sousa. De facto são formas diferentes de ver o mesmo fenómeno, o que é positivo. Quanto a mim, o que é negativo é criticar a outra concepção. Uma coisa será eu admitir que não gosto daquele tipo de Futebol, mas outra bem diferente é apontar o dedo e até fazer comentários como os que Capello fez sobre a equipa da Roma, dizendo que a equipa de Spalletti era demasiado narcisista, apaixonada por ela própria e que sofría demasiados golos. É óbvio que quando se busca o golo haverá mais risco de se sofrer também. Não sei em que âmbito é que Capello proferiu essas afirmações e isso é fundamental para que se percebesse o que é que o treinador pretendeu ao dizer o que disse. Mas o importante aqui é salientar a variedade que existe nas formas de jogar Futebol. Daí também a importância de se compreender que há vários jogos e que estes é que enriquecem o Jogo. Um jogo de Futebol é um confronto de duas formas de jogar que podem ser distintas ou não e aí é que está a riqueza do Futebol. Mesmo em equipas de top, poderemos constatar facilmente que apesar de darem muito valor à organização ofensiva, nem todas o fazem da mesma forma. Reparemos por exemplo no Arsenal, no Chelsea, Manchester United ou Barcelona. O Arsenal procura instalar-se na área contrária ( ficando com poucos jogadores atrás – dois ) e circular bastante a bola em largura procurando criar espaços para progredir em profundidade, o Chelsea tem uma referência, procura inúmeras vezes Drogba como uma primeira opção através de passes dos elementos da defesa ( frequentemente é Terry quem procura mais o avançado ), por exemplo, o Manchester United que procura desequilibrar através dos movimentos paralelos dos seus médios-ala e o Barcelona que afunila o seu jogo de ataque com entradas dos extremos. Até na denominação das posições as coisas mudam. Um ala não é a mesma coisa que um extremo, assim como um defesa lateral esquerdo não é a mesma coisa que um defesa esquerdo. Depende da forma como se joga. Por mais que se tente generalizar as funções que um jogador deve ter numa determinada posição vai sempre cair-se no erro, porque essa posição pode até nem sequer existir na forma de jogar de determinado clube. Recordo por exemplo Litmanen que quando chegou ao Barcelona disse que a posição em que jogava não existía no Barcelona.

Sem comentários: