domingo, junho 03, 2007

O primeiro golo de Portugal contra a Bélgica


Esse golo reflecte um tipo de abordagem ultrapassada relativamente ao jogador que está diante do portador de bola. Se se lembrarem, o defesa belga fechou o acesso à linha de forma ostensiva. Nani ainda hesitou, mas quando viu que de facto, a auto-estrada estava mesmo à sua frente, aproveitou e foi só rematar e festejar. Antes do golo já tínha acontecido um lance muito semelhante ao qual o guarda-redes belga se tínha oposto. Mas o defesa comportou-se exactamente da mesma maneira... fechou o caminho à linha.

Ora, qual é a questão essencial aqui? Será que não deixar o portador de bola movimentar-se para a linha é a melhor solução? Depende. E é por depender que não se podem criar padrões pré-definidos, como por exemplo, quando ele está no meio leva-o para a linha ou quando ele está na linha leva-o para o meio. Isto não pode ser assim porque os jogadores têm dois pés, um dos quais é o preferido, e porque também, cada vez mais destros jogam do lado esquerdo e canhotos jogam do lado direito. Portanto, a questão da análise torna-se muito importante. Pensar como uma máquina já não se aplica no Futebol de hoje. É preciso estar constantemente a pensar no que o adversário vai fazer, perceber quem é que está à nossa frente e com que pé é que ele se sente mais à vontade. O Nani é destro, mas estava do lado esquerdo. O defesa levou-o para o meio, ou seja, para o lado do pé preferido do Nani, quando devía ter feito o oposto... À segunda foi mesmo golo. Por mais que saísse cruzamento e que a bola entrasse na baliza belga, o defesa tería cumprido a sua função relativamente à orientação dos apoios. Não tería sido tão eficaz porque não tería evitado o cruzamento, mas aí já estamos no campo das hipóteses. Mas é importante salientar sempre o mérito de quem consegue fazer bem.

A "solução" é analisar o adversário que tem a bola. Não há outra forma de perceber qual a melhor posição que o jogador que marca o portador de bola deve adoptar. O pensamento deve estar sempre em levar o portador de bola para o lado do pé mais fraco. Se bem que há uns que têm dois pés preferidos. Casos de Zidane, Ronaldinho, Káká ou Cristiano Ronaldo. Mas mesmo nesses casos, o defesa deve adoptar uma postura dinâmica, variando sempre de posição consoante a bola passa de um pé para o outro. Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho são um exemplo de defesas nesse aspecto. Eles é que montam a cilada para os portadores de bola e quando quem tem a bola acha que vai conseguir passar, os defesas já interceptaram o lance e já estão a sair a jogar...

Às vezes estes detalhes podem parecer puramente lógicos, mas não são de tão fácil compreensão por parte de muitas pessoas que estão no Futebol.
E é importante salientar também que no Futebol não há soluções. Tudo pode acontecer, quer seja com pé forte ou com o pé fraco... mas as probabilidades de ocorrência de êxito são diferentes e é aí que se deve centrar o pensamento.

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